Um levantamento feito pelo Ipsos, obtido pela Coluna do Estadão, aponta que 5% dos jovens entre 10 e 17 anos já compraram bebida alcoólica ou tabaco, incluindo vapes, pela internet. Na faixa etária dos adolescentes de 16 e 17 anos, o número chega a 9%, dos quais 30% usam a internet para burlar a verificação de idade exigida pelos sites.
Para Luis Felipe Monteiro, CEO na América Latina da Unico, plataforma de verificação de idade que encomendou a pesquisa, “isso evidencia como a burla de mecanismos de idade acabou se tornando algo naturalizado entre adolescentes no ambiente digital.”
Ele afirma que, entre os principais motivos citados pelos jovens para entrar em sites proibidos para menores de 18 anos, “62% afirmam que fizeram isso porque queriam acessar plataformas cuja idade mínima não permitia, enquanto 26% disseram que não viam problema em alterar a idade. Isso mostra um processo de naturalização desse comportamento”.
A pesquisa também mostra que 35% desses jovens que adquirem substâncias proibidas para menores de 18 anos fazem compras semanais pela internet, motivados pela facilidade de entrega e ausência de controle rigoroso como a biometria facial, que ajuda a validar a identidade do usuário em plataformas de delivery e e-commerce.
O levantamento ouviu 1.200 jovens entre 10 e 17 anos entre 21 de agosto e 1º de setembro de 2025.
ANPD começou a implementar verificação de idade
Como mostrou o Estadão, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) passou a monitorar a partir de março a implementação de mecanismos de verificação de idade dos usuários por plataformas digitais. Em um documento com diretrizes preliminares, a agência sugere uma tecnologia considerada padrão ouro para realizar o trabalho, chamada “prova de conhecimento zero”.
O ECA Digital, que define normas para proteção de crianças e adolescentes na internet, entrou em vigor em março. Agora, a ANPD coordena a fase de implementação, com regulamentação de alguns pontos e monitoramento das plataformas.
