Na reunião ministerial de quarta, 3, Lula provocou o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, na frente de todo o governo.
O petista tentou se desvencilhar da responsabilidade pelo momento de crise vivido entre Executivo e Legislativo, desde que a indicação de Jorge Messias ao STF foi rejeitada pelo Senado.
No universo paralelo de Lula, a ruptura de relações com o chefe do Legislativo é um problema criado por Alcolumbre, que deve tratar de procurá-lo no Planalto para reparar o “erro” de ter analisado a indicação de Messias de forma independente no Senado.
Na frente de todos os ministros, disse Lula: “Eu não tenho problema com ele. O Alcolumbre é que criou um problema para ele mesmo”.
Do outro lado da Praça dos Três Poderes, Alcolumbre pensa exatamente a mesma coisa, só que acusa Lula de ter criado o problema ao não aceitar a derrota no Legislativo.
Para Alcolumbre, quem está em pleno processo eleitoral, precisando do Congresso e de popularidade é Lula. Ele, como senador, não estará nas urnas de outubro. É fato que a eleição da mesa do Senado se aproxima, mas manter a briga com o petista é até um elemento atrativo ao senador, que precisa de votos da direita.
A birra de Lula chega a surpreender aliados. Logo o petista, político velho, que sabe que as derrotas acontecem quando o mandatário do Planalto se nega a fazer política e dialogar com aliados, inclusive ouvindo alertas.
Foi Lula que, avisado pelo próprio Alcolumbre de que Messias não seria aprovado, decidiu peitar o Senado.
Recentemente, Alcolumbre falou desse dilema com interlocutores. “Lula é que cria problemas para ele mesmo. Não tenho problema com o presidente”, disse o senador.
Como ninguém reconhece que está errado nessa história, Lula e Alcolumbre seguem rompidos e sem previsão de se encontrarem para pacificar a relação.