Escolas particulares de elite de São Paulo estão aproveitando o mercado aquecido para investir tanto em novos espaços quanto na abertura de vagas para o próximo ano.
Depois de uma queda no número de estudantes durante a pandemia, a rede privada no Brasil voltou a crescer no último censo do Ministério da Educação (MEC), atingindo níveis mais altos que os registrados antes da covid-19.
Segundo dados de 2024, os mais recentes, são 9,4 milhões de alunos em escolas particulares, ante 9,3 milhões no ano anterior. Em 2021, eram 8 milhões.
Especialistas apontam uma alta na procura por vagas em escolas bilíngues ou com tradição na capital — e mensalidades entre R$ 7 mil e R$ 15 mil. Veja, abaixo, como estas instituições têm se preparado para crescer.
Eleva
A Escola Eleva, instituição bilíngue que abriu sua unidade na capital no ano passado, vai expandir e ter em 2026 turmas de Ensino Médio também. Dois andares novos do prédio na Vila Mariana, na zona sul, estão em reforma para servirem tanto na convivência quanto na aprendizagem dos adolescentes.
Com mensalidades de R$ 10 mil, a escola vai investir R$ 500 mil em algumas bolsas para as novas vagas do Ensino Médio, que podem ser de até 100%.

Avenues
A Avenues, escola internacional na zona sul, também começa este ano as obras para ampliar seu câmpus com uma área de 6,5 mil m² ao lado de onde está localizada, no Morumbi. A ideia é ter um espaço na natureza para os alunos, com plantas nativas da Mata Atlântica, campo de futebol, estufa e riacho. A instituição, fundada em Nova York e que chegou a São Paulo em 2018, tem mensalidades que vão de R$ 8,3 mil a R$ 14,9 mil, dependendo da série.
O investimento é de US$ 3 milhões (R$ 16 milhões), com estimativa de conclusão no início de 2027. “Além de dar mais bem-estar para os alunos, o espaço casa com o nosso currículo, que pretende formar cidadãos que entendem a crise climática. Um dos problemas hoje é que as pessoas não têm contato com a natureza”, afirma a diretora da Avenues, Anne Baldisseri.
Beacon
Outra bilíngue que está expandindo é a Beacon School, na Vila Leopoldina, zona oeste. Os novos espaços inaugurados este ano aumentam em 50% a área da escola, com um novo bosque, dois campos de futebol e três quadras. Em 2027, ficará pronto ainda um espaço somente para alunos do Ensino Fundamental 2.
Mais investimentos
Outras particulares de elite de São Paulo, como Móbile e Santa Cruz, também estão investindo em ampliação.

A Escola Móbile, há 50 anos em Moema, na zona sul, vai inaugurar em 2026 uma nova unidade na Vila Olímpia, também na zona sul, somente para o Ensino Médio. O prédio terá espaços pensados para a convivência dos adolescentes, novos laboratórios, um cinema, uma plenária para debates e um andar apenas para disciplinas eletivas criadas para o novo Ensino Médio — como Química da Beleza, Ciência na Cozinha e Física dos Instrumentos Musicais.
O câmpus vai permitir que o colégio abra uma nova turma, com dezenas de vagas, o que não acontecia há anos no Ensino Médio da Móbile. “Isso é muito importante, oxigena e areja a comunidade, com adolescentes que vêm de outras escolas, de outras realidades”, diz o diretor geral da Móbile, Wilton Ormundo. As mensalidades no Ensino Médio da Móbile são de R$ 7,7 mil.
O Colégio Santa Cruz, na zona oeste, inaugurou este ano um novo câmpus, de 3 mil m², somente para Educação Infantil. Além disso, a escola, conhecida pela grande concorrência, abriu novas vagas para crianças de um a três anos, que não eram atendidas. O novo prédio do Santa teve suas primeiras vagas preenchidas e abre mais 218 para 2026, já com fila de espera.
O Colégio Visconde de Porto Seguro também anunciou este ano uma nova unidade no condomínio de luxo Fazenda Boa Vista, no interior do Estado. O câmpus, que será construído em parceria com a incorporadora JHFS, proprietária do empreendimento, deve começar a funcionar em 2027 e terá 12 mil m². Segundo a escola, o projeto está “em fase de memorando de entendimento, ainda sem detalhes arquitetônicos finalizados”.
“Trata-se de uma área em expansão socioeconômica, com muitos investimentos em curso, além de novas fábricas, com demanda crescente por educação de excelência”, diz, em nota. O novo colégio não será restrito ao condomínio e terá ensino plurilíngue — português, inglês e alemão, além de espanhol optativo.
O Colégio Bandeirantes, por sua vez, investiu R$ 160 milhões nos últimos anos em novas instalações. Neste mês, foi entregue o novo centro esportivo, de 500 m², com arquibancada e ampliação do playground para as crianças do Fundamental 1, inaugurado há dois anos. Um novo prédio, de 11 andares, também foi construído e entregue em 2023.