O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), quer reeditar a dobradinha com o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), nas eleições deste ano, mas agora com papéis invertidos. A estratégia é usar Nunes como cabo eleitoral para tentar desgastar o PT na capital, onde Fernando Haddad (PT) venceu Tarcísio por 54,5% a 45,5% em 2022.
Ao Estadão, Nunes afirmou que será o “mais ativo” da campanha de Tarcísio e que pretende ajudar tanto na coordenação quanto nas agendas de rua. “Tarcísio terá da minha parte todo tempo disponível; domingos, por exemplo, dedicados a fazer campanha.”
Tarcísio participou ativamente da campanha de Nunes em 2024: foi conselheiro do prefeito, apareceu como protagonista em programas do horário eleitoral e fez a ponte de Nunes com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Foi Tarcísio, por exemplo, quem articulou a indicação do coronel Ricardo Mello Araújo (PL) para a vice do emedebista.

Nos bastidores, aliados afirmam que o governador “apostou todas as fichas” em Nunes, mesmo diante da ascensão de Pablo Marçal na disputa e do risco de amargar um desgaste em caso de derrota. Agora, a avaliação é que o prefeito vai retribuir o apoio.
A capital paulista é estratégica pelo seu peso eleitoral: reúne 9 milhões de eleitores, 26,8% do total do Estado, segundo os dados mais recentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na última eleição geral, a esquerda saiu vitoriosa na cidade tanto na disputa presidencial, com Lula, quanto na estadual, com Haddad. Correligionários de Tarcísio avaliam que o governador não deve abrir larga vantagem sobre o petista, mas pode reverter o placar.
Em 2022, Tarcísio bateu Haddad por uma margem de 2,5 milhões em todo o Estado, mas teve 780 mil votos a menos que o petista na capital.
A dobradinha com Ricardo Nunes busca dar mais visibilidade para o governador na capital. Na semana passada, Tarcísio divulgou em suas redes sociais o projeto da “Times Square Paulistana”, que prevê a instalação de quatro painéis de LED e outras intervenções em uma das esquinas mais famosas de São Paulo.
Embora o projeto seja uma parceria entre a prefeitura e a iniciativa privada, o governador participou da coletiva de imprensa e disse que o principal apoio do governo estadual será na promoção da segurança pública para que as famílias visitem o local com tranquilidade.
Tarcísio embalou o projeto como mais uma ação para revitalizar o Centro, uma de suas principais bandeiras para a capital paulista – em fevereiro, ele concluiu o leilão para a construção do novo Centro Administrativo, na região de Campos Elíseos, com investimento previsto de R$ 6 bilhões. “Quando falamos na revitalização do Centro, a gente tem que pensar no somatório de projetos, e não considerar simplesmente projetos isolados”, afirmou.
A avaliação de aliados de Tarcísio é que a máquina da prefeitura, somada ao rol de vereadores e líderes comunitários que orbitam o prefeito, podem ajudar o governador a conquistar votos na capital e, sobretudo, na periferia, onde Nunes teve bom desempenho durante a campanha municipal. A aprovação do prefeito, que está em 64,6% na última pesquisa da Paraná divulgada em dezembro de 2025, também é vista como um ativo.
Nunes ganhou de Guilherme Boulos (PSOL) em quase todos os distritos eleitorais há dois anos, incluindo Cidade Tiradentes, Guaianazes, Parelheiros e Grajaú. O psolista levou vantagem apenas na Bela Vista, em Piraporinha e no Valo Velho. A pesquisa Quaest divulgada na véspera do segundo turno mostrava Nunes à frente de Boulos entre o eleitorado que ganha até três salários mínimos e tem até o Ensino Fundamental.
As equipes do governador e do prefeito já iniciaram conversas sobre a estratégia de comunicação. A tendência é reeditar o argumento da última eleição e pregar que a integração e o alinhamento entre governo e prefeitura beneficiará mais a população.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana mostrou que Tarcísio tem 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 26% de Fernando Haddad (PT), e 5% de Kaim Kataguiri (Missão) e Paulo Serra (PSDB). Indecisos são 13% e os brancos, nulos e que dizem que não votarão são 13%. No segundo turno, Tarcísio teria hoje 49%, contra 32% de Haddad, com 8% ainda indecisos e 11% dispostos a votar em branco, nulo ou não ir às urnas.
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 1.650 eleitores de São Paulo entre os dias 23 e 27 de abril. A margem de erro é de três pontos porcentuais, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o código SP-03583/2026.