A Secretaria do Estado da Educação de São Paulo lançou um campeonato para incentivar a competição entre alunos pela melhor nota em uma prova nacional feita pelo Ministério da Educação (MEC).
A iniciativa ganhou o nome de “Brasileirão Saeb”, em referência ao Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). As turmas que se saírem melhor no processo de preparação para o exame, previsto para outubro, vão um receber um troféu.
Além disso, um prêmio em dinheiro será distribuído aos grêmios estudantis das escolas com melhor colocação no exame nacional.
A ideia foi apresentada em transmissão ao vivo feita pelo diretor pedagógico da secretaria, Daniel Barros, nesta segunda-feira, 21.
A gestão do secretário Renato Feder sugere que as turmas de 5º e 9º ano do ensino fundamental, além do 3º do médio – que são as avaliadas pelo Saeb – se tornem “times”. E avisa que aquela com melhor pontuação ganha também a “taça Brasileirão Saeb”.
As aulas na rede recomeçaram nesta quarta-feira, 23, mas o campeonato, segundo o governo, se inicia em agosto.
Ao Estadão, a secretaria afirmou que “o engajamento em uma avaliação padronizada como o Saeb é um desafio para todas as redes, não só a de São Paulo. Por isso, precisamos criar diferentes estratégias para incentivar os estudantes”.

São Paulo tem tido sucessivos desempenhos ruins no Saeb nos últimos anos e os técnicos da secretaria afirmam na transmissão que o objetivo do Brasileirão é o de melhorar os resultados paulistas.
No ano passado, o Estado já passou a atrelar o repasse de dinheiro aos grêmios ao desempenho na avaliação estadual, o Saresp. O montante é calculado a partir da quantidade de alunos da escola estadual que atingir bater as metas estabelecidas pela secretaria.
O valor varia de R$ 50 a R$ 100 por estudante da unidade premiada. O mesmo modelo será feito agora com o Saeb. Segundo a secretaria, a expectativa é repassar, no mínimo, R$ 5 mil e, no máximo, R$ 70 mil por escola premiada.
Em 2024, foram pagos R$ 55 milhões para cerca de 1,5 mil das 5 mil escolas. O dinheiro deve ser usado para projetos em áreas como cultura, meio ambiente e esportes. Um exemplo é a compra de materiais esportivos e de instrumentos musicais.
A rede estadual de São Paulo caiu no ranking de qualidade da educação divulgado pelo MEC em 2024 em todos os níveis de ensino: fundamental (5º e 9º ano) e ensino médio. O Saeb compõe o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o principal indicador nacional.

No ensino fundamental 1 (5º ano), São Paulo ficou em 5º lugar, com Ideb 6,2, atrás de Ceará, Paraná, Goiás e Espírito Santo. Em 2019, tinha ficado na segunda posição.
Entre os alunos do 9º ano, o Estado caiu da liderança para quinto. No ensino médio, foi da quarta posição para a sexta, com Ideb de 4,2.
O Saeb é realizado a cada dois anos e em 2025 a prova será em outubro. Por isso, na mesma live, a secretaria apresentou o que chamou de “Jornada 90 dias Saeb”, que é a preparação dos alunos para o exame, com o uso da ferramenta de Business Intelligence (BI), comum em empresas.
Os técnicos da secretaria explicaram que os professores devem acessar os dados no BI para entender em que nível sua turma estaria no Saeb e, depois disso, seguir o plano traçado pelo Estado. As aulas vão focar nas próximas 12 semanas nos conteúdos e habilidades que caem na avaliação e que eles têm mais dificuldade.
O cálculo para ganhar o Brasileirão levará em conta a frequência dos estudantes às aulas, a realização de tarefas de Português e Matemática em plataformas da secretaria da educação, a presença no dia da avaliação do MEC e o desempenho nos simulados. Tudo isso soma pontos para cada turma e serão apresentados quinzenalmente em um ranking.

O modelo é criticado por Fernando Cassio, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Para ele, falta um trabalho estrutural. “(O estímulo por meio premiação) É só um treinamento concentrado com vistas a melhorar o resultado na prova”, diz.
Ele critica ainda a ideia de criar uma “dinâmica competitiva” nas escolas e forçar o uso de plataformas de tarefas, que entram na contabilização do bônus. “Ainda que consigam elevar os indicadores de Saeb, isso nunca ocorre de uma maneira consistente.”