A ICC Brasil (International Chamber of Commerce) lança nesta quinta-feira, 30, em um evento em São Paulo, o Guia para Empresas sobre Gestão de Riscos Associados a Organizações Criminosas.
No documento, a entidade vai dar orientações para que empresas e profissionais fortaleçam mecanismos de governança e protejam a integridade de suas operações e cadeias produtivas.
Uma das preocupações da ICC Brasil é a infiltração estrutural do crime organizado em negócios legítimos no Brasil, o que, segundo a entidade, representa riscos para o setor privado, como lavagem de dinheiro, influência econômica de grupos ilícitos e a possibilidade de a empresa ter sua reputação afetada por algum ato ilícito.
A diretora-executiva da ICC Brasil, Gabriella Dorlhiac, ressaltou à Coluna do Estadão que o guia foi criado por conta do aumento dos riscos que as organizações criminosas representam no Brasil, que segundo ela movimentaram cerca de R$ 350 bilhões entre 2022 e 2024.
”A ideia é conscientizar o setor privado sobre como essas redes ilícitas deixaram de usar apenas a ocultação de recursos e passaram a focar na integração, escala e influência dentro da economia formal. O documento oferece orientações para que as empresas apliquem compliance como um instrumento estratégico de defesa, capaz de identificar desvios e proteger a integridade da atividade econômica lícita”, explicou a diretora.

Sinais de alerta para as empresas
A ICC Brasil alerta, no documento, para sinais que podem ajudar as empresas e profissionais a identificar a infiltração de organizações criminosas no setor privado.
- Mudanças frequentes de sócios;
- Preços incompatíveis com o mercado;
- Solicitações de pagamentos em contas de terceiros.
Uma das formas de prevenção que o Guia para Empresas sobre Gestão de Riscos Associados a Organizações Criminosas sugere é a separação de responsabilidades sensíveis, para evitar que uma única pessoa controle cadastros e pagamentos nas companhias, a rotatividade no comando de cargos críticos e destinar recursos adequados para as áreas de compliance.
O guia foi elaborado pela Comissão de Integridade e Responsabilidade Corporativa da ICC Brasil e teve colaboração da Controladoria-Geral da União (CGU).