Um plano continental para conter o surto de ebola na República Democrática do Congo e Uganda e criar uma frente de preparação para futuros episódios de disseminação do vírus causador da doença foi anunciado nesta sexta-feira, 5, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (África CDC). A meta da iniciativa é arrecadar 518 milhões de dólares para dar suporte aos países africanos em ações de preparação, diagnóstico precoce e controle de infecções.
A proposta da mobilização, que vai durar até novembro, é estruturar uma abordagem de “resposta única”, como denominou a OMS, para a construção de uma cadeia completa para sufocar surtos de ebola.
Atualmente, a situação é mais preocupante na República Democrática do Congo. Segundo o Instituto Nacional de Saúde Pública do país, foram confirmados 381 casos e 64 mortes. Em Uganda, de acordo com o Ministério da Saúde local, são 19 casos e dois óbitos. O surto é causado pela variante Bundibugyo, ainda sem opções de tratamento nem vacina.
“O objetivo é simples: precisamos conter o surto onde ele está, apoiar os países que estão respondendo hoje e garantir que os países vizinhos estejam preparados para detectar e agir rapidamente caso surjam casos”, disse, em discurso de apresentação da estratégia, o diretor-geral da OMS Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Segundo Ghebreyesus, o quadro atual de espraiamento da doença e impacto na população pedem medidas emergenciais. “O surto está se alastrando rapidamente e ainda estamos tentando acompanhar o ritmo.”
É por isso que foi estabelecido um prazo para implementação das ações. “A oportunidade agora é agir com clareza e disciplina, utilizando um plano comum para orientar um esforço comum. Se fizermos isso, podemos pôr fim a este surto e fortalecer os sistemas que protegem as pessoas do próximo”, afirmou.
Como vai funcionar o plano continental da OMS
A mobilização estruturada pela OMS e o África CDC prevê a adoção de estratégias utilizadas em surtos anteriores e em outras emergências em saúde pública. Na definição de Ghebreyesus, as lições dizem respeito à importância da velocidade, coordenação e consistência das ações.
Os esforços estarão concentrados na proteção de populações mais vulneráveis, fortalecimento da colaboração nas fronteiras e manutenção dos cuidados com outras doenças que circulam pelo continente, como sarampo, cólera e varicela.
Ebola
A doença causada pelo vírus ebola é transmitida a partir do contato com fluidos, como sangue e saliva, que tem como principais sintomas: febre, manifestações hemorrágicas, fraqueza, diarreia, vômitos e dor abdominal.
Diante do surto causado pela cepa Bundibugyo, a OMS declarou emergência internacional em saúde pública, o nível mais alto de alerta quando há disseminação de uma doença.