O Insper, uma das principais faculdades da cidade de São Paulo, vai abrir um curso de Engenharia de Produção, que acaba de ser aprovado pelo Ministério da Educação (MEC). O vestibular será feito no fim de 2025 e a turma começará no início do ano letivo de 2026.
A instituição de ensino sem fins lucrativos já oferece outros cursos na área das Engenharias: Mecânica, Mecatrônica e de Computação, que formaram mais de 450 engenheiros nos últimos dez anos.
O ingresso para todos os cursos de Engenharia é feito de forma unificada. Nos dois primeiros anos, os alunos cursam o ciclo básico e, depois, decidem em qual das carreiras querem continuar os estudos.
- A cada semestre, são ofertadas cerca entre 100 a 150 vagas para as Engenharias do Insper.
Com foco na preparação de seus alunos para atuarem na área corporativa, a faculdade também tem graduação de Administração, Economia, Direito e Ciências da Computação.
A faculdade, cujas mensalidades na graduação ultrapassam os R$ 7 mil, fica na Vila Olímpia, na zona sul. A instituição diz também querer atrair mais estudantes da classe média e baixa renda a partir do seu programa de bolsas de estudos, que conta com moradia para estudantes de fora de São Paulo e auxílios estudantis (leia mais abaixo).

Segundo o presidente do Insper, Guilherme Martins, a ideia é unir a prática com a teoria em todo o currículo. “O curso de engenharia tradicional começa com muita coisa teórica e o aluno vai pôr a mão na massa no meio para o fim”, diz.
“Fomos conhecer várias experiências no mundo e que isso já era superado. Trouxemos para o Brasil esse conceito de aprendizado em um contexto de aplicação prática, que faz com que o aluno tenha mais propósito no seu aprendizado”, conta ele.
“O aluno vai fazer Cálculo, entendendo por que precisa derivar, integrar, qual o problema de fato que o engenheiro resolve”, acrescenta.
No Brasil, houve queda de interesse de jovens pelas Engenharias na última década, com 23% menos calouros na área entre 2014 e 2023. Entre os que ainda optam pela carreira, a maioria já entra no ensino à distância (EAD). Soma-se a isso, o cenário de desindustrialização do País.
Mesmo assim, a faculdade diz ver sentido em abrir mais vagas nessa área devido à “necessidade do país por bons engenheiros”.
“A queda de interesse de jovens por uma carreira tech, exceto em Computação, é muito grande”, reconhece Martins. “O Brasil precisa de engenheiros, apesar desse contexto de desinteresse e alguma desindustrialização.”
O Insper desenhou o novo curso, de Engenharia de Produção, para desenvolver profissionais aptos para atuar também no setor de serviços, divergindo do senso comum de que esse profissional deve trabalhar prioritariamente em indústrias.
“Tem vários cursos de Engenharia de Produção em outras boas escolas voltados para a área de manufatura, mas queremos ter um engenheiro capaz de atuar no setor de Saúde, Logística, Transporte, Agronegócio, Varejo, Tecnologia, serviços de uma forma geral, e até mesmo com a política pública”, explica Martins.
Segundo ele, esse engenheiro “precisa entender redes de suprimentos, ter alta capacidade analítica e simular ambientes para tomada de decisão, pensar na sustentabilidade das operações e tocar projetos”.

Bolsas de estudos
O Insper quer atrair estudantes de classe média e baixa renda por meio de bolsas de estudos, diz o presidente da faculdade. Hoje, a instituição tem 400 bolsistas na graduação (10% dos 4 mil alunos). A ideia é expandir o programa para alcançar 20% do total de alunos como bolsistas.
Na Engenharia, o percentual é maior do que nos outros cursos, já com 20% de alunos bolsistas. Conforme Martins, a carreira é prioritária para a concessão de auxílios.
Para conseguir esse desconto, é preciso passar no vestibular e se candidatar para as bolsas parciais ou integrais. O critério de concessão é pela faixa de renda familiar:
- As bolsas integrais (que cobrem 100% da mensalidade) são oferecidas a alunos com renda familiar mensal de até 2 salários mínimos por membro da família.
- Já as parciais cobrem de 30% a 80% da mensalidade e são oferecidas para alunos com renda familiar mensal de até 6 salários mínimos por membro da família. As bolsas parciais são restituíveis, ou seja, o estudante precisará pagar o restante do valor após um ano de formado.
A faculdade planeja alterar a regra das bolsas parciais para que não seja mais restituíveis, assim como já acontece com as integrais.

Além dos descontos nas mensalidades, bolsistas podem ter acesso ao auxílio-moradia na faculdade (para aqueles que são fora de São Paulo), auxílio-manutenção, auxílio-Inglês, auxílio-informática e bolsa intercâmbio.
“Por que não tenho mais bolsistas? Porque não chega. Precisa ser aprovado no vestibular, que mais gente conheça o programa do Insper. O alunos vai estudar como se fosse universidade pública, sem pagar, com dormitório etc”, diz Martins.