Amigo de Casimiro, Pedro Certezas revela por que preferiu renovar com a TNT Sports

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Um dos talentos que se destaca na TNT Sports e produtor de conteúdo humorístico focado em esportes na internet, Pedro Certezas, 31, renovou seu contrato com o canal esportivo da Warner. Em entrevista a VEJA, o apresentador falou dos motivos que o levaram a se manter na empresa em vez de migrar para a CazéTV, canal comandando por seu amigo pessoal Casimiro Miguel.

Confira a entrevista na íntegra:

O que o motivou a renovar com a TNT Sports, sabendo que você é essa personalidade despojada e tem uma relação tão forte com o Casimiro, que já até falou que gostaria de levá-lo para lá? O Cazé é meu irmão de vida, foi padrinho do meu casamento e a gente se fala quase todo dia. Mas eu separo muito bem as duas coisas: o pessoal e o profissional. O Pedro Certezas e o Pedro Barreto são duas pessoas que, por mais que compartilhem 95% do DNA, ainda têm suas diferenças. Na questão profissional, a TNT é um lugar que parece me dar uma tela em branco e dizer: “Moleque, pinta aí”. Não importa se o quadro ficar ruim; eles dizem “tudo bem, joga fora e faz outro”. Faço isso há 10 anos. É muito difícil abrir mão de um lugar que te dá essa liberdade irrestrita e que sempre compra o seu barulho, mesmo quando você comete um erro ou outro. Eu me sinto em casa e conheço as pessoas há uma década. Esse poder errar e tentar de novo até achar um conteúdo bom é muito difícil de encontrar em qualquer outro lugar.

Essa separação entre amizade e trabalho se tornou algo fundamental para você? Sim, é muito importante. Eu tenho a convicção de que trabalho bem com amigos — tanto que todo mundo com quem trabalho acaba virando amigo —, mas a vida profissional fica na frente de qualquer coisa. Por mais que o Cazé seja meu irmão, é difícil trocar o que tenho na TNT por qualquer coisa. É uma empresa que me abraça, me revelou e me pega no colo.

Qual é o segredo por trás da fórmula de sucesso do De Sola e dos seus conteúdos solo nas redes sociais? Tem uma metáfora de um comediante americano que explica bem: eu realmente gosto de futebol, mas gosto mais de falar algo engraçado do que de fazer um comentário técnico. O conteúdo do De Sola é como se o público estivesse sendo alimentado por um prato de entretenimento, mas ali no meio a gente esconde um “remedinho” que é o futebol. A pessoa acaba consumindo futebol achando que viu apenas um vídeo de comédia. É um “sportainment”. Muitas vezes fazemos um vídeo sobre o Filipe Luís, passamos metade do tempo falando da vida e as pessoas adoram. O De Sola 10 começou como um spin-off e agora já fazemos conteúdos cortando o cabelo de alguém. Começa com “quem é o melhor atacante do século” e termina em algo totalmente aleatório.

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Você lida com o público há 10 anos. A internet mudou muito nesse período e hoje todo mundo tem espaço para opinar o tempo todo. Sua relação com os comentários — tanto elogios quanto críticas — mudou? Eu sempre tive uma base familiar muito boa, então nunca fui muito suscetível a ligar para críticas. Sempre tive confiança e isso não mudou. Houve momentos piores e outros mais leves, mas eu realmente não ligo. Da mesma forma, não fico iludido por elogios. Não gosto de me sentir “o brabo”; gosto de ser um cara comum. Em 2024, por exemplo, dizem que meus conteúdos renderam muito por causa do Botafogo, mas eu queria mesmo era ser um botafoguense comum no estádio. Eu não vou para camarote, fico no mesmo lugar que ia aos 14 anos. O que mudou de fato foi a questão da fama, que às vezes exige um boné ou óculos num show, mas o carinho que recebo na rua é surreal. Quando alguém diz que meu trabalho ajudou a sair de uma depressão, isso é impagável. É raro uma profissão proporcionar isso.

Como funciona seu processo criativo para ser inovador em um tema tão explorado quanto o futebol, fugindo daquele modelo “quadrado” de mesa redonda? Eu tento não focar no “campo e bola”. Se tudo correr como planejei, vocês nunca vão me ver falando da função tática de um lateral-direito. Eu prefiro comparar um goleiro ruim no seu time com ser intolerante à lactose e comer um pote de sorvete no trabalho: você vai passar sufoco. Por gostar de futebol, eu entrei no rumo do esporte, mas se não fosse isso, estaria fazendo stand-up ou escrevendo séries. Eu tento olhar do esporte para o entretenimento. Acho importante não levar o futebol tão a sério. O pessoal do Choque de Cultura e do Falha de Cobertura faz muito bem isso. O futebol é o menos importante entre religião e política. Às vezes, você tem que rir que seu lateral só faz merda.

Antigamente, os comentaristas escondiam seus times. Hoje, você, o Casimiro e outros mostram abertamente para quem torcem. Como você vê essa questão da parcialidade e do fanatismo? Acho que não foi bem uma escolha, mas um caminho sem volta. Na faculdade, aprendemos que o jornalista não é a notícia, mas isso mudou assustadoramente. Agora é notícia quando eu renovo com a TNT. O agente que reporta agora é o sujeito da coisa. Com as redes sociais, se você quer ter sucesso a longo prazo, precisa ser o sujeito. Se você é fanático, tem que mostrar. Se a pessoa quer conhecer o Pedro Certezas ou o Vitor Sérgio Rodrigues, ela quer saber o time deles. No meu caso é mais fácil porque sou “escrachado”. Meu tom é de entretenimento, então as pessoas levam de forma mais leve. O Vitor Sérgio, por exemplo, não pode mandar o Vasco “se foder”, mas eu posso. No meu lugar de fala, ser um botafoguense descrachado é muito mais simples.

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O que a TNT Sports e o De Sola estão preparando para a cobertura da Copa do Mundo, já que não possuem os direitos de transmissão dos jogos? Não posso adiantar muito, mas teremos uma programação pesada. Quando você não tem os direitos, compensa com conteúdos geniais. O De Sola faz vídeos quase todo dia, e na Copa terá muito mais assunto. Ainda não sei se vou viajar, porque agora trabalhamos muito próximos à publicidade e existem marcas querendo me levar. Vamos entender com a TNT a melhor forma de encaixar tudo. O Corte de Sola eu gravo de qualquer lugar do mundo. A TNT vai fazer um excelente trabalho, disso eu tenho certeza.

O que considera o real diferencial da TNT Sports em relação aos concorrentes? A TNT é um pouco como o Santos: tem aquela cultura dos “Meninos da Vila”. Todo mundo que surge lá está alinhado com o pensamento da casa e com o dogma do “vai lá e faz”. Existe uma cultura de liberdade e de focar no acerto em vez de punir o erro. Acho que existe uma semente da TNT no esporte criativo de todas as outras empresas hoje. Fomos pioneiros nesse jeito de fazer conteúdo esportivo para a internet. Fui moldado por esse ambiente onde você pode tentar e florescer. É um depósito de confiança muito grande e um incentivo à criatividade. Além disso, a importância que a empresa está dando para a marca De Sola pesou muito na minha renovação. Tivemos o melhor mês da história do canal recentemente. Passamos por reformulações: primeiro comigo e o Casimiro, depois com o Oliveira, depois com as lives, e agora achamos uma fórmula absurda com o novo elenco (Vitor Lopes, Wallace, Piero, Caio e Pseudo). Criamos uma comunidade muito engajada. Estamos com o projeto de Brasfoot, o público está muito junto. Quando acabo um vídeo do De Sola hoje, eu já quero fazer outro. Esse entusiasmo é o maior diferencial.

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